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105. Tecido urbano

A composição, adensamento ou espessamento do tecido urbano desempenham papel significativo na captura de luz natural para os espaços internos. Compreender as diversas composições do traçado urbano e saber quais estratégias de iluminação natural utilizar contribui para maximizar a entrada de luz nos ambientes internos e proporcionar conforto aos usuários.

O desenho urbano influencia diretamente a quantidade de luz natural que alcança os edifícios, a visibilidade do céu e a conexão com o exterior. Existem várias configurações possíveis, e os exemplos bem-sucedidos de edifícios são aqueles que demonstram um profundo conhecimento do local e do seu desenho urbano, visando uma perfeita integração.

Tipos de traçado urbano

Alguns exemplos comuns de traçado urbano incluem diferentes desenhos de quadras:

Quarteirões irregulares

Quadras retangulares

Super quadras

Na primeira configuração, é perceptível a presença de quarteirões irregulares, com traçados de rua e lotes variados, sem um padrão definido. Nessas situações, é necessário analisar individualmente cada lote a ser construído e considerar o impacto das edificações ao redor — não há regra geral que se aplique a todos os lotes da malha. Por outro lado, quando os quarteirões possuem formato retangular, o desenho urbano segue um traçado mais formal, com ruas e avenidas bem definidas e uma hierarquia de vias clara — o que também torna o comportamento da luz natural mais previsível de lote para lote. Já as superquadras são um modelo regionalizado, caracterizadas por quadras extensas, com edifícios diversos e espaços vazios generosos entre eles, o que costuma favorecer o acesso solar em comparação com malhas mais adensadas.

Formas de agrupamento dos edifícios

Além do traçado das quadras, a forma como os edifícios se agrupam dentro delas também determina o acesso à luz natural:

Blocos de edifícios abertos

Agrupamento de torres

Torre isolada

Os blocos abertos — implantação de volumes padronizados dentro da quadra, próximos entre si mas não totalmente interligados — permitem uma comunicação visual e de luz dentro do próprio conjunto, geralmente organizados ao redor de um espaço central ou pátio comum. O agrupamento de torres, por sua vez, distribui volumes mais altos e esbeltos de forma mais espaçada entre si: cada torre tende a ter acesso solar em mais faces, mas o espaçamento entre elas precisa ser calculado com cuidado para evitar sombreamento mútuo, especialmente quando têm alturas semelhantes. Já a torre isolada, a menos que esteja em uma área urbana densa com outros edifícios altos ao redor, tem impacto menor sobre o entorno imediato — mas pode gerar um impacto significativo se estiver cercada por edificações baixas ou térreas, projetando sombras longas sobre construções que não foram projetadas para recebê-las.

No que diz respeito à implantação dos edifícios nas quadras, portanto, a proximidade entre eles é o fator que mais aumenta o impacto mútuo sobre a iluminação — quanto mais próximos e mais altos os volumes vizinhos, maior a necessidade de estudar cuidadosamente recuos e a refletância das fachadas envolvidas, para evitar tanto o sombreamento excessivo quanto o ofuscamento urbano causado por reflexos entre edifícios vizinhos.

Parâmetros relacionados

Para analisar a influência do tecido urbano na iluminação, considere também os seguintes parâmetros:

Referências:

AMORIM, C. N. D. Diagrama Morfológico Parte I: Instrumento de Análise e Projeto Ambiental com uso de Luz Natural. Paranoá: cadernos de arquitetura e urbanismo, v. 0, n. 3, p. 58, 14 jul. 2007.

LAM, W. Sunlighting As Formgiver for Architecture. 1St Edition edition. New York: Van Nostrand Reinhold, 1986.

ROMERO, M. Princípios Bioclimáticos Para o Desenho Urbano. 1a edição. [S. l.]: Editora UnB, 2013.

Indicação de outros parâmetros