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105.1 Vias de circulação

As vias de circulação representam os espaços vazios na cidade, intercalados entre os volumes sólidos dos edifícios, e podem ser utilizadas para permitir a entrada de luz natural em áreas com alta densidade de construção. Em geral, podemos afirmar que ruas mais amplas resultam em maior distância entre os edifícios, o que permite maior penetração de luz solar e ampla visibilidade do céu dentro do tecido urbano. Além disso, edifícios mais altos podem ser construídos sem que o sombreamento prejudique as construções vizinhas.

Relação da largura da via e altura dos edifícios.

Essa relação entre a largura desse espaço e a altura dos edifícios costuma ser descrita pela razão H/W — altura do edifício (H) dividida pela largura do espaço livre entre as fachadas (W). Configurações com razão baixa (H/W próximo de 1 ou menor) mantêm boa visibilidade do céu e acesso solar mesmo nos pavimentos mais baixos; à medida que essa razão aumenta — ruas estreitas ladeadas por edifícios altos —, o céu visível se reduz progressivamente, e os pavimentos inferiores podem ficar praticamente sem acesso à luz direta do sol durante boa parte do ano, mesmo em fachadas bem orientadas.

Orientação das vias e das fachadas

A orientação das vias exerce influência direta na orientação das fachadas dos edifícios. É aconselhável que as fachadas mais longas estejam voltadas para norte e sul, pois essas orientações facilitam o sombreamento e a proteção contra exposição solar indesejada. Essa recomendação faz sentido geométrico: no hemisfério sul, a fachada norte recebe sol relativamente alto ao longo do ano, mais fácil de controlar com dispositivos horizontais simples, como beirais e marquises; já fachadas voltadas a leste e oeste recebem sol baixo pela manhã e pela tarde, respectivamente — um ângulo bem mais difícil de bloquear sem comprometer a vista ou recorrer a dispositivos verticais mais complexos. Por isso, vias que favorecem fachadas norte-sul tendem a facilitar tanto o projeto de proteção solar quanto o aproveitamento da luz natural ao longo do dia.

Em ruas com orientação desfavorável, onde a fachada fica sombreada durante o inverno e extremamente exposta ao sol durante o verão, é recomendável o uso de elementos arquitetônicos como varandas, marquises e beirais amplos. Ver dispositivos de sombreamento.

Conforto no espaço público

Em climas quentes e úmidos, é importante que a orientação das ruas proporcione um ambiente agradável para que as pessoas possam permanecer no espaço público. Os caminhos para pedestres devem ser curtos e sombreados. Para alcançar isso, é desejável utilizar elementos como vegetação, marquises e alargamentos em trechos específicos.

A orientação das vias discutida aqui se relaciona diretamente com o eixo principal do edifício em relação à rua: depois de entender como o desenho da via afeta a luz disponível no lote, o próximo passo é decidir como o próprio edifício vai se posicionar dentro dele.

Perguntas frequentes

O que são vias de circulação no contexto do projeto urbano?
São os espaços vazios da cidade, intercalados entre os volumes construídos — ruas, avenidas e caminhos —, que permitem a entrada de luz natural, ventilação e circulação entre os edifícios.

Como a largura da rua afeta a iluminação natural dos edifícios?
Quanto mais larga a rua em relação à altura dos edifícios ao redor (razão H/W baixa), maior a visibilidade do céu e o acesso solar nos pavimentos baixos. Ruas estreitas com prédios altos reduzem esse acesso, especialmente nos andares inferiores.

Qual a melhor orientação das fachadas em relação à rua?
Fachadas mais longas voltadas para norte e sul, no hemisfério sul, recebem sol em ângulos mais altos e fáceis de controlar com beirais e marquises — diferente das fachadas leste-oeste, que recebem sol baixo e mais difícil de bloquear.

O que fazer quando a rua tem orientação desfavorável (leste-oeste)?
Usar elementos de proteção solar como varandas, marquises e beirais amplos, além de recorrer a dispositivos de sombreamento específicos para controlar o sol baixo da manhã e da tarde.

Referências:

LAM, W. Sunlighting As Formgiver for Architecture. 1St Edition edition. New York: Van Nostrand Reinhold, 1986.

ROMERO, M. Princípios Bioclimáticos Para o Desenho Urbano. 1a edição. [S. l.]: Editora UnB, 2013.

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