O clima local exerce influência sobre a forma e a quantidade de luz solar que pode ser aproveitada dentro de um edifício.
A arquitetura deve estar em sintonia com as características naturais do local onde está inserida. Considerando a grande diversidade de condições climáticas no país, as variações no céu e as diferentes necessidades das pessoas em relação à luz, não faz sentido que a arquitetura seja uniforme em todas as regiões.
O Brasil, devido às suas dimensões continentais, apresenta uma ampla diversidade nesse sentido. As regiões brasileiras são extensas, superando muitos países, e possuem variações que são influenciadas pela topografia, cobertura vegetal, presença de corpos d’água e outros fatores.
Zoneamento bioclimático brasileiro
Nesta ferramenta é utilizada como referência o zoneamento bioclimático brasileiro atual, estabelecido pela norma ABNT NBR 15220-3:2024. Essa revisão substitui a versão anterior, de 2005, e amplia consideravelmente seu escopo: em vez de oito zonas aplicáveis apenas a habitações unifamiliares de interesse social, a norma atual define doze zonas bioclimáticas — 1R, 1M, 2R, 2M, 3A, 3B, 4A, 4B, 5A, 5B, 6A e 6B, variando gradualmente de “muito fria” a “muito quente” —, válidas tanto para edificações residenciais (unifamiliares ou multifamiliares) quanto para edificações não residenciais e não industriais.
O método de classificação também mudou: em vez de critérios prescritivos fixos, as doze zonas foram definidas a partir de indicadores reais de desempenho térmico — o percentual de horas de ocupação dentro da faixa de temperatura operativa (PHFT), a carga térmica de resfriamento (CgTR) e de aquecimento (CgTA), calculadas conforme a ABNT NBR 15575-1, além do percentual de horas com umidade relativa interna abaixo de 30% (PHUi30) ou acima de 70% (PHUs70). Essas simulações usaram dados climáticos horários de 298 estações meteorológicas brasileiras (arquivos TMYx, 2007–2021), complementados por dados do ERA5-Land — o que permitiu estender a classificação, antes limitada a 330 cidades, para o conjunto completo dos 5.507 municípios brasileiros.
Por que as zonas têm letras (R, M, A, B)
A lógica de subdivisão de cada zona muda conforme a faixa de temperatura: as duas zonas mais frias — 1 (muito fria) e 2 (fria) — são subdivididas em função da carga térmica de aquecimento, resultando em variantes de inverno rigoroso (R) ou moderado (M). Já as quatro zonas mais quentes — 3 (mista), 4 (levemente quente), 5 (quente) e 6 (muito quente) — são subdivididas pela umidade relativa média do ar externo, resultando em variantes úmida (A) ou seca (B). Essa distinção não é apenas técnica: zonas úmidas e secas de mesma faixa de temperatura pedem estratégias de projeto bem diferentes, já que a umidade afeta diretamente as condições de céu (ver Luz direta x indireta) e, consequentemente, a disponibilidade de luz difusa versus luz direta ao longo do ano.
A norma apresenta uma cidade representativa para cada uma das doze zonas: 1R (Canela/RS, 16,3°C), 1M (Curitiba/PR, 17,5°C), 2R (Porto Alegre/RS, 20,1°C), 2M (São Paulo/SP, 20,4°C), 3A (Florianópolis/SC, úmida), 3B (Brasília/DF, seca), 4A (Rio de Janeiro/RJ, úmida), 4B (Goiânia/GO, seca), 5A (Salvador/BA, úmida), 5B (Cuiabá/MT, seca), 6A (Fortaleza/CE, úmida) e 6B (Petrolina/PE, seca) — a mais quente e mais seca de todas, com temperatura média anual de 27,5°C.

Mapa do Zoneamento bioclimático brasileiro. Fonte: ABNT 15220-3:2015
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Conhecer a zona bioclimática do local de projeto é o primeiro passo prático discutido nos Objetivos do Projeto Daylighting: é o clima que orienta, por exemplo, se o desafio principal será captar luz difusa ou se proteger de luz direta intensa ao longo do ano.