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103. Topografia

A topografia acidentada de uma região, juntamente com a presença de água e vegetação, resulta em uma maior variedade de climas, conhecidos como microclimas. Esses microclimas podem ser explorados para proteger as edificações da exposição solar indesejada e devem ser considerados nos estudos de insolação das fachadas.

Como a topografia cria microclimas

Aproveitar a topografia é um ponto de partida importante para criar o microclima ideal. As elevações naturais são eficazes para modular o clima: depressões amplas permitem aproveitar o sombreamento durante os horários de sol mais baixos, especialmente no verão. Nessas situações, o sombreamento é mais eficiente quando a barreira topográfica está localizada a uma certa distância da área sombreada, proporcionando proteção contra o sol baixo ao mesmo tempo em que permite a entrada de luz difusa e refletida entre a barreira e o edifício. A presença de colinas circundantes pode ser uma vantagem significativa para simplificar os desafios nas fachadas leste e oeste.

A orientação da encosta em relação ao sol também importa, e não apenas sua presença: no hemisfério sul, encostas voltadas para o norte recebem insolação mais direta e por mais horas ao longo do ano, enquanto encostas voltadas para o sul tendem a ficar mais tempo na sombra — um edifício implantado numa vertente norte enfrenta desafios de proteção solar bem diferentes de um implantado numa vertente sul, ainda que estejam a poucos metros de distância um do outro. É esse tipo de variação que caracteriza cidades de topografia acentuada, como o Rio de Janeiro: bairros muito próximos entre si podem ter microclimas sensivelmente diferentes só por causa da orientação e da inclinação do terreno.

No estudo de insolação, é importante localizar os edifícios mais altos e considerar a influência de suas sombras, juntamente com o desenho da topografia. Essas sombras podem oferecer oportunidades de insolação para as edificações mais baixas, especialmente em climas mais frescos. Em áreas onde as sombras persistem por longos períodos do dia, é possível destinar esses espaços a instalações que requerem menos luz solar, como estacionamentos.

O espaçamento entre edifícios e a largura das vias de circulação são outros aspectos importantes a considerar. Quando o espaçamento entre edifícios é maior, há a possibilidade de construir edifícios mais altos — a topografia, nesse sentido, pode ser tanto uma restrição quanto um recurso: um terreno em aclive, bem aproveitado, permite volumes mais altos sem necessariamente sombrear o entorno, enquanto um terreno plano com lotes justapostos exige mais cuidado com recuos e afastamentos para garantir o mesmo resultado. Essas decisões se conectam diretamente ao tecido urbano, ao gabarito e aos recuos permitidos para cada lote — parâmetros que devem ser lidos em conjunto com a topografia local, não isoladamente.

Referências:

LAM, W. Sunlighting As Formgiver for Architecture. 1St Edition edition. New York: Van Nostrand Reinhold, 1986.

ROMERO, M. Princípios Bioclimáticos Para o Desenho Urbano. 1a edição. [S. l.]: Editora UnB, 2013.

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