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005. Temperatura de cor

A temperatura de cor refere-se à aparência de cor da luz emitida e exerce uma grande influência na percepção do espaço e no ritmo circadiano do corpo humano.

A temperatura de cor é definida como a aparência de cor da luz emitida por uma determinada fonte de luz, e sua unidade de medida é o Kelvin (K). Quanto mais alta, mais clara e azulada é a tonalidade da luz; tonalidades mais amareladas ou avermelhadas têm temperatura de cor mais baixa e são chamadas de luz quente, enquanto as mais brancas ou azuladas são conhecidas como luz fria. Na prática, essa escala vai de tons abaixo de 2.000K (como a chama de uma vela) a mais de 10.000K (como um céu azul claro sem nuvens) — a luz do dia, dependendo da hora e das condições atmosféricas, percorre boa parte dessa escala num único dia.

A escala acima situa esses valores lado a lado: da luz quase alaranjada de uma vela, na casa dos 1.900K, até o azul intenso de um céu limpo, que ultrapassa os 10.000K.

É importante ressaltar que a temperatura de cor não está relacionada ao calor físico da fonte de luz — uma lâmpada de temperatura de cor mais “quente” não é fisicamente mais quente do que uma de temperatura mais “fria”; o termo descreve apenas a aparência da cor emitida. A referência para essa variação é a própria luz do dia. No nascer do sol, o espectro da luz solar apresenta uma predominância da cor vermelha — tons mais baixos, na faixa dos 2.000 a 3.000K. Durante o dia, a predominância da cor azul aumenta, elevando a temperatura de cor para a faixa dos 5.500 a 6.500K ao meio-dia, e isso está relacionado aos níveis de hormônios como a melatonina e o cortisol. Ver parâmetro Luz e Saúde.

Espectro da luz solar às 7h com predominância da cor vermelha (medição em junho/2018). Fonte: Cedido por Vicente Scopacasa, 2020.

Espectro da luz solar ao meio-dia com predominância das cores azul e verde. (medição em maio/2018). Fonte: Cedido por Vicente Scopacasa, 2020.

Espectro da luz solar às 17h com predominância das cores azul e verde. (medição em maio/2018). Fonte: Cedido por Vicente Scopacasa, 2020.

As três medições acima ilustram exatamente essa variação ao longo de um único dia: às 7h, o espectro ainda concentrado no vermelho; ao meio-dia, já deslocado para o azul e o verde; e às 17h, ainda predominantemente frio, antes de retornar aos tons quentes no fim da tarde. É esse ciclo contínuo — quente ao amanhecer e ao anoitecer, frio ao longo do meio do dia — que torna a luz natural tão distinta de qualquer fonte artificial fixa.

A luz natural é considerada ideal para regular o ritmo circadiano do ser humano justamente por causa dessa variação: o corpo usa a mudança de temperatura de cor ao longo do dia como um dos sinais que regulam a produção de melatonina e cortisol, ajustando o estado de alerta e o sono. Em contraste, a iluminação elétrica convencional geralmente possui um espectro fixo, que não acompanha essa variação natural — motivo pelo qual soluções de iluminação centradas no ser humano (human centric lighting) buscam replicar, de forma artificial, o mesmo comportamento dinâmico que a luz do dia oferece de graça. A luz natural se ajusta às necessidades humanas por si só, o que reforça sua importância em ambientes onde as pessoas passam tempo significativo para trabalho ou permanência — e reforça, também, por que substituir luz natural por luz artificial fixa nunca é uma equivalência perfeita.

Referências:

SCOPACASA, V. Estudos sobre espectro solar. Acervo pessoal, 2020.

VAN BOMMEL, W. The science of lighting: A guide about the nature and behavior of light. (Lighting Academy).

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