A luz do sol pode incidir em uma edificação de três maneiras diferentes: luz direta, luz difusa e luz refletida. Cada uma delas chega ao edifício de um jeito diferente, e entender essa diferença é o que orienta boa parte das decisões de projeto discutidas nos parâmetros seguintes.
A luz direta é aquela que chega da fonte solar sem qualquer obstrução ou dispersão pelo caminho — os raios percorrem uma trajetória retilínea desde o sol até a superfície atingida, o que explica por que ela produz sombras nítidas e bem delimitadas e níveis de iluminância muito mais altos do que qualquer outra fonte natural. É também a componente mais previsível: sua direção e intensidade podem ser calculadas com precisão a qualquer hora do dia e do ano a partir da posição solar, o que a torna a base de estudos como a carta solar e de estratégias de sombreamento voltadas a controlar seu ingresso no ambiente.
A luz difusa, por sua vez, não chega em um feixe único e direcionado, mas espalhada por toda a abóbada celeste — é o resultado do espalhamento da radiação solar pelas partículas da atmosfera e, em dias nublados, pelas próprias nuvens. Por não ter uma direção dominante, ela produz uma iluminação mais uniforme e sombras suaves ou inexistentes, o que a torna especialmente relevante em projetos que buscam evitar contrastes excessivos ou ofuscamento. Sua intensidade, no entanto, é mais difícil de prever do que a da luz direta, variando com a cobertura de nuvens e a turbidez atmosférica — por isso ela costuma ser descrita por modelos estatísticos de céu, como veremos adiante.
A luz refletida, por fim, não vem diretamente do sol ou do céu, mas da devolução da luz incidente por uma superfície do entorno construído ou natural — o solo, a calçada, uma fachada vizinha. A quantidade de luz que essa superfície devolve ao ambiente é medida pela sua refletância: quanto mais clara e reflexiva a superfície, maior o potencial de reforçar a iluminação natural internamente. Já o modo como essa luz é devolvida — de forma difusa, espalhada em várias direções, ou de forma especular, concentrada como em um espelho — depende da especularidade das fachadas vizinhas. Essa distinção importa porque uma reflexão concentrada e mal controlada pode se tornar ofuscamento urbano: o mesmo fenômeno que ajuda a iluminar um ambiente internamente pode, em excesso ou mal direcionado, prejudicar o conforto visual de quem está do lado de fora.

Quando o céu está claro, os edifícios recebem luz direta do sol somada à luz refletida pelas superfícies ao redor. Já em dias nublados, a luz do sol é difundida pelas nuvens, e o céu se torna a principal fonte aparente de luz — não o disco solar em si. Essa diferença tem consequência direta sobre as sombras: sob céu claro, elas são fortes e bem definidas; sob céu encoberto, tornam-se suaves e praticamente desaparecem. Para mais informações, ver Contrastes.


Essa variação entre condições de céu não é apenas uma observação qualitativa — ela é padronizada internacionalmente para fins de simulação. Michel e Laranja (2020) descrevem que a norma ISO 15469 (CIE S011) classifica o céu em quinze tipos, do mais encoberto ao mais claro: os tipos 1 a 5 correspondem a céu encoberto (sem componente de luz direta do sol), os tipos 6 a 10 a céu parcialmente encoberto ou intermediário, e os tipos 11 a 15 a céu claro, com presença de radiação solar direta. Essa classificação é a base utilizada por softwares de simulação de luz natural para prever, com precisão, como um projeto vai se comportar sob diferentes condições atmosféricas ao longo do ano — e não apenas em um dia ensolarado ideal, que raramente representa a média real de um local.
Para incluir a luz do dia no processo de projeto, é fundamental considerar não apenas a entrada de luz direta no ambiente, mas também a luz refletida proveniente do solo e dos edifícios vizinhos. Aproveitar essa luz refletida pode ser decisivo para moldar elementos arquitetônicos e aprimorar a distribuição de luz no interior dos espaços — uma fachada clara no lote vizinho, por exemplo, pode funcionar como uma fonte secundária de luz tão relevante quanto uma abertura bem dimensionada. Por esse motivo, é essencial ter consciência do potencial da luz refletida e escolher materiais que favoreçam sua reflexão no ambiente interno, garantindo uma iluminação mais uniforme e agradável, sem abrir mão do conforto visual.
Na prática de projeto, essa distinção entre luz direta, difusa e refletida orienta decisões concretas: em climas predominantemente nublados, otimizar a captação de luz difusa através de aberturas amplas e bem posicionadas costuma trazer mais benefício do que se proteger de uma insolação direta que raramente ocorre; já em climas de céu predominantemente claro, o desafio se inverte, e o controle da luz direta — via sombreamento e orientação — se torna prioritário. Conhecer as condições de céu típicas do local do projeto, portanto, não é um detalhe técnico secundário: é o que determina se a estratégia de daylighting escolhida vai realmente funcionar depois que o edifício estiver construído.