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003. Objetivos do Projeto Daylighting

Os objetivos do projeto de iluminação natural podem ser divididos em três grupos: aspectos ambientais — custos, recursos naturais e consumo de energia —, aspectos arquitetônicos — volumetria, estética, tecnologia e manutenção — e aspectos humanos — bem-estar físico e psicológico, segurança e visibilidade. Os três grupos são interdependentes, e é essa relação que estrutura o restante deste parâmetro.

Aspectos ambientais

Para atender às demandas ambientais, quatro fatores são cruciais: o estudo do movimento solar, as condições do céu, o clima e a localização. Compreender o movimento do sol amplia a percepção humana em relação ao horário do dia, à estação do ano e à posição geográfica — a luz do dia desempenha papel fundamental na manutenção dos ritmos biológicos em sintonia com os ritmos da natureza.

As condições do céu determinam a escolha das aberturas: em dias nublados, aberturas zenitais são mais favoráveis; em céus claros, a captação por aberturas laterais é mais adequada. Essas aberturas devem ser projetadas considerando a trajetória solar e permitindo a conexão com o exterior. Quanto ao clima, é essencial conhecer o microclima local — influenciado pela topografia, superfície do solo e arredores —, o que exige estudos que analisem a relação entre o edifício, o ambiente circundante e o acesso solar, como o uso de cartas solares e técnicas de mascaramento.

Aspectos arquitetônicos

A volumetria, o layout dos ambientes e o posicionamento e dimensionamento das aberturas são as “formas” que moldam e direcionam a distribuição da luz nos espaços internos: a configuração de um edifício determina quanta luz é admitida e como ela se distribui. Os estudos das aberturas estabelecem a conexão com o entorno, orientam a necessidade de proteção e antecipam a demanda por iluminação elétrica complementar — que deve estar integrada ao projeto de luz natural desde o início, não resolvida à parte.

Quanto à tecnologia, vale diferenciar três níveis de estratégia para a iluminação natural:

  1. Independente da tecnologia: estratégias de projeto ligadas à concepção e ao desenho do edifício;
  2. Tecnologia de apoio à arquitetura: sombreamento, vidros, controles de iluminação elétrica complementar;
  3. Sistemas tecnológicos: abordagens essencialmente tecnológicas — dutos de luz, concentradores solares, vidros especiais — para captar, distribuir ou controlar a luz do dia.

Segundo Guzowski (1999), em uma construção nova, a arquitetura deve predominar sobre as soluções tecnológicas; estas tendem a ser mais viáveis em retrofits, já que modificar a arquitetura costuma ser mais caro e complexo.

“A tecnologia não é a resposta; é apenas um meio.” — Guzowski (1999)

Ver parâmetros da escala do edifício.

Aspectos humanos

O conforto e o bem-estar humano são influenciados por condições fisiológicas e psicológicas, pelo estado de espírito e pela qualidade dos ambientes naturais e construídos — a luz do dia desempenha papel significativo na saúde humana.

O controle manual e a flexibilidade dos dispositivos de sombreamento são essenciais para o conforto: os usuários precisam ajustar a quantidade de luz conforme a luminosidade muda ao longo do dia, e controlar reflexos no ambiente. A integração da iluminação elétrica é fundamental, e a luz de tarefa pode complementar quando necessário.

A conexão com o exterior também é fator de bem-estar: permite visualizar o ambiente externo e vivenciar as variações de luminosidade ao longo do dia e do ano, reduzindo a tensão no sistema visual ao permitir que os olhos ajustem o foco para objetos mais distantes.

Ver parâmetro Necessidades biológicas.

Os três grupos estão inter-relacionados, e o sucesso de um depende da aplicação correta dos outros: os objetivos do projeto envolvem oferecer aos usuários a capacidade de realizar suas tarefas com rapidez, precisão e conforto, respeitando as questões ambientais — tudo isso viabilizado por uma modelagem arquitetônica eficaz.

Referências:

GUZOWSKI, M. Daylighting for Sustainable Design. 1 edition. New York: McGraw-Hill Professional, 1999.

MATOS, J. C. S. F. Luz revelando arquitetura: registros de edifícios em Campinas, SP. 2017. 216 f. Dissertação de Mestrado – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2017.

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