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302.2 Posição em planta da abertura

A posição em planta da abertura lateral desempenha um papel fundamental na captação e distribuição da luz natural. A orientação da abertura é um fator importante a ser considerado, assim como a possibilidade de abrir o ambiente para mais de uma direção. Diferente da orientação, que trata de para onde a abertura aponta, este parâmetro trata de quantas faces do ambiente recebem abertura, e como essas faces se relacionam entre si.

As aberturas laterais podem ser classificadas em três tipos, de acordo com quantas faces do ambiente recebem aberturas:

Unilateral

Quando há abertura lateral em apenas uma face do ambiente. É a configuração mais comum, mas também a mais limitada: a luz penetra a partir de um único ponto, o que restringe a profundidade útil do ambiente — normalmente entre 1,5 e 2 vezes o pé-direito, a partir da abertura. Ambientes unilaterais mais profundos que isso tendem a apresentar uma zona escura significativa no fundo.

Bilateral

Quando há aberturas laterais em duas faces opostas do ambiente. Essa configuração permite que a luz penetre de dois lados, resultando numa distribuição mais uniforme e ampliando consideravelmente a profundidade útil iluminada, além de favorecer a ventilação cruzada. É uma solução particularmente eficaz em edifícios lineares, onde as duas fachadas longas já estão disponíveis para receber aberturas.

Múltiplas direções

Quando há aberturas laterais em mais de duas faces do ambiente — típico de ambientes de canto ou de edifícios com plantas mais abertas. Essa configuração amplia ainda mais a uniformidade da luz e a ventilação, mas também multiplica o número de orientações que precisam ser avaliadas individualmente quanto ao risco de ofuscamento e ganho térmico, já que cada face pode receber luz solar direta em horários diferentes do dia.

A posição em planta não deve ser decidida isoladamente da orientação: uma configuração bilateral mal orientada — com as duas aberturas voltadas para leste e oeste, por exemplo — pode gerar dois problemas de ofuscamento em vez de resolver um. O ideal é definir as duas variáveis em conjunto, primeiro identificando as orientações mais favoráveis para o clima e a latitude do projeto, depois decidindo quantas faces do ambiente efetivamente comportam uma abertura.

Abertura Unilateral Norte – 12hAbertura Unilateral Sul – 12h
Aberturas Bilaterais Norte e Sul – 12h
Aberturas Múltiplas direções Sul, Leste e Oeste – 12h
Simulação DiaLux EVOambiente retangular com aberturas laterais em data específica (23 de setembro) para Latitude 23ºS (São Paulo, Brasil), céu claro, apenas com iluminação natural*.
*As áreas com polígono cinza são áreas com iluminação solar direta. 

O que as simulações mostram

Com base nas simulações realizadas no software DiaLux EVO, destacadas anteriormente, a presença de aberturas em mais de uma orientação permite uma distribuição mais uniforme da luz no ambiente, evitando áreas mais escuras, além de proporcionar uma ventilação cruzada significativa. No entanto, é importante manter a cautela em relação às aberturas que recebem luz solar direta — mais orientações significam mais oportunidades de reflexo e ofuscamento a serem estudadas, não apenas mais luz.

A ventilação cruzada favorecida pela configuração bilateral ou multidirecional depende da diferença de pressão entre as aberturas: quanto mais opostas as faces, mais eficiente tende a ser o fluxo de ar. Isso reforça por que a posição bilateral costuma ser preferida sobre a unilateral sempre que a planta do edifício permitir, mesmo quando a diferença de iluminação entre as duas configurações for pequena.

Essa escolha também está ligada à profundidade do ambiente e à volumetria do edifício como um todo: ambientes muito profundos raramente se resolvem bem só com aberturas unilaterais, e podem precisar recorrer a aberturas zenitais ou a uma prateleira de luz para complementar o alcance da luz lateral.

Recomendações práticas

Priorizar bilateral em ambientes profundos ou lineares. Duas faces opostas resolvem boa parte dos problemas de zona escura que a configuração unilateral não consegue.

Avaliar cada orientação individualmente em ambientes com múltiplas aberturas. Mais faces com abertura significam mais faces que precisam de estudo de sombreamento e ofuscamento, cada uma com sua própria carta solar.

Combinar com aberturas zenitais quando a profundidade ultrapassar o alcance da luz lateral. Aberturas unilaterais isoladas raramente resolvem ambientes muito profundos, independente da orientação escolhida.

Referências:

LAM, W. M. C. Sunlighting As Formgiver for Architecture. 1St Edition edition. New York: Van Nostrand Reinhold, 1986.

Simulações:

Software Dialux EVO – disponível em <https://www.dialux.com/en-GB/download>

Indicação de outros parâmetros