A orientação das fachadas de um edifício desempenha um papel importante, especialmente quando se trata das aberturas nelas presentes. A distribuição adequada deve levar em consideração as variações nas diferentes orientações — para captar luz, direcionar ventos predominantes e considerar edifícios vizinhos —, a fim de propor as melhores soluções de aberturas e dispositivos de sombreamento.
A iluminação natural lateral é mais fácil de ser resolvida em climas predominantemente encobertos e em regiões de baixas latitudes, nas quais as alturas angulares do sol são mais elevadas em comparação com regiões de altas latitudes. Em climas quentes, onde se deseja sombreamento e redirecionamento da luz, é recomendado orientar as aberturas laterais para as fachadas norte e sul sempre que possível. No entanto, dependendo da latitude, as fachadas norte e sul também precisarão de proteção em horários específicos. Recomenda-se consultar o parâmetro da Carta Solar para mais informações.
Como a orientação muda ao longo do dia
| Fachada Leste – 9h | Fachada Leste – 12h | Fachada Leste – 15h |
| Fachada Oeste – 9h | Fachada Oeste – 12h | Fachada Oeste – 15h |
| Fachada Norte – 9h | Fachada Norte – 12h | Fachada Norte – 15h |
| Fachada Sul – 9h | Fachada Sul – 12h | Fachada Sul – 15h |
*As áreas com polígono cinza são áreas com iluminação solar direta.
As aberturas voltadas para o quadrante leste recebem mais luz pela manhã, e as voltadas para o quadrante oeste recebem mais luz à tarde. Isso ocorre tanto para radiação direta (insolação) quanto para radiação difusa. No Hemisfério Sul, as aberturas laterais voltadas para o quadrante norte recebem radiação solar direta, enquanto as voltadas para o quadrante sul recebem radiação difusa, exceto no início da manhã e no final da tarde entre a primavera e o outono, quando podem receber alguma radiação solar direta.
Essas variações dependem diretamente da latitude e do clima do local do projeto: quanto mais próximo da linha do equador, menores as diferenças angulares entre as estações, e quanto mais afastado, maior a variação sazonal na altura solar recebida por cada fachada. Por isso a orientação ideal das aberturas não é uma regra universal — ela precisa ser verificada caso a caso, cruzando latitude, clima e a trajetória solar específica do local.
Limites práticos: taxa de abertura e sombreamento
É importante ressaltar que nem todas as aberturas podem ser direcionadas para o sul. Para controlar a radiação direta (insolação) uma alternativa eficaz é o uso de dispositivos de sombreamento. A taxa de abertura nas fachadas também influencia nas trocas térmicas, sendo recomendado evitar que mais de 50% da fachada seja envidraçada, o que pode gerar problemas térmicos em qualquer clima.
Estratégias para plantas mais profundas
A iluminação lateral é mais facilmente trabalhada em edifícios estreitos. No caso de edifícios com plantas de maior profundidade, pode-se aumentar a altura do pé-direito ou utilizar dispositivos de redirecionamento da luz, como as prateleiras de luz. As aberturas laterais também possuem a vantagem de permitir que cada andar do edifício receba luz de forma satisfatória e tenha vista para o exterior.
Essa decisão também dialoga com o eixo principal do edifício e com o tecido urbano do entorno: um edifício cujo eixo principal já favorece a orientação norte-sul facilita a aplicação dessas diretrizes, enquanto lotes com pouca liberdade de implantação — por conta do traçado das quadras ou dos limites do terreno — podem exigir soluções de sombreamento mais elaboradas para compensar uma orientação menos favorável.
A orientação correta das aberturas é um aspecto que deve ser considerado desde o início do processo de projeto. Uma orientação adequada pode facilitar as fases subsequentes, reduzindo a necessidade de dispositivos de sombreamento, indicação de materiais específicos e o custo total da obra.
Recomendações práticas
Consultar a carta solar do local antes de definir a orientação das aberturas. Ela mostra exatamente em que horários e épocas do ano cada fachada recebe radiação direta.
Limitar a área envidraçada a menos de 50% da fachada, independentemente da orientação escolhida. Isso evita problemas térmicos mesmo em fachadas bem orientadas.
Priorizar aberturas norte-sul quando o eixo principal do edifício permitir, e reservar dispositivos de sombreamento mais robustos para as situações em que leste ou oeste forem inevitáveis.