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301. Forma e planta

A forma de um edifício desempenha um papel significativo na iluminação natural. Projetar cuidadosamente o edifício para maximizar a entrada de luz natural, nos locais e momentos desejados, é um dos principais objetivos do projeto com foco na iluminação natural. Diferente de outros parâmetros da escala do edifício, essa decisão não pode ser corrigida depois: uma vez definida a volumetria e a profundidade dos ambientes, as estratégias de iluminação natural disponíveis ficam limitadas ao que essa volumetria permite.

Em termos simples, a melhor maneira de iluminar adequadamente um espaço é aproveitar a iluminação natural por meio de aberturas laterais ou zenitais, garantindo que o ambiente seja bem iluminado durante a maior parte do dia. Para isso, a volumetria do edifício desempenha um papel crucial ao determinar as melhores orientações para a captura de luz natural, e o layout interno determina as necessidades e possibilidades de aberturas em um ou ambos os lados. Ambientes profundos, com aberturas em apenas um lado, não conseguirão alcançar esse objetivo.

No que diz respeito à volumetria do edifício, podemos classificá-la em três tipos:

Edifício linear

Trata-se de edifícios com formato alongado, geralmente implantados em lotes estreitos e longos. Nesse caso, as aberturas laterais são amplamente utilizadas, podendo ser unilaterais ou bilaterais.

Esse formato favorece o uso de aberturas bilaterais, já que ambas as fachadas longas ficam livres para captar luz — o que tende a resultar num ambiente interno mais uniformemente iluminado do que em plantas mais compactas, especialmente quando a orientação do lote permite alinhar o eixo principal do edifício com uma direção solar favorável.

Esquema aberturas laterais em edifícios lineares.

Edifício com planta profunda

São edifícios mais profundos, com maior massa construtiva. Também podem fazer uso de aberturas laterais, mas a parte central do volume pode ser prejudicada devido à profundidade dos ambientes. No caso de edifícios térreos ou de poucos pavimentos, a profundidade pode ser compensada com o uso de aberturas zenitais.

Nesses casos, o uso de átrios ou poços de luz internos é outra alternativa ao escalonamento por pavimento, permitindo que a luz alcance ambientes que, caso contrário, dependeriam inteiramente de iluminação artificial durante todo o dia.

Esquema aberturas laterais e zenital em edifícios retangulares.

Edifícios altos com pátios centrais

Em edifícios mais altos, a utilização de espaços centrais compartilhados, como pátios, pode ser vantajosa, embora a luz captada não atinja plenamente os níveis mais baixos. O efeito de sombreamento mútuo entre os pavimentos superiores tende a reduzir a quantidade de luz que chega ao fundo do pátio nos andares inferiores, especialmente em edifícios de muitos pavimentos. Recuar os andares superiores, além de escalonar as aberturas, amplia o ângulo de céu visível nos pavimentos mais baixos.

A escolha da volumetria do edifício geralmente está relacionada às necessidades programáticas do projeto. As aberturas laterais oferecem não apenas iluminação, mas também conexão com o entorno. As aberturas zenitais contribuem para criar níveis uniformes de luz, e os pátios fornecem iluminação e criam espaços compartilhados dentro de complexos de edifícios.

A escolha entre essas estratégias raramente é puramente estética: ela decorre do gabarito permitido, do tecido urbano do entorno e da profundidade do lote disponível — variáveis que já deveriam estar mapeadas antes da definição da volumetria do edifício.

Esquema abertura zenital escalonada.

Recomendações práticas

Avaliar a profundidade do ambiente antes de escolher entre aberturas laterais e zenitais. Ambientes rasos costumam resolver bem só com aberturas laterais; ambientes profundos exigem zenitais, átrios ou escalonamento.

Alinhar a forma alongada ao eixo solar mais favorável, quando o lote permitir. Um edifício linear mal orientado desperdiça boa parte da vantagem que essa volumetria oferece.

Considerar o gabarito e o tecido urbano antes de comprometer a volumetria. A estratégia de captação de luz que funciona num edifício térreo pode não funcionar da mesma maneira em altura.

Referências:

AMORIM, C. N. D. Diagrama Morfológico Parte I: Instrumento de Análise e Projeto Ambiental com uso de Luz Natural. Paranoá: cadernos de arquitetura e urbanismo, v. 0, n. 3, p. 58, 14 jul. 2007.

GUZOWSKI, M. Daylighting for Sustainable Design. 1 edition. New York: McGraw-Hill Professional, 1999.

LAM, W. M. C. Sunlighting As Formgiver for Architecture. 1St Edition edition. New York: Van Nostrand Reinhold, 1986.

Indicação de outros parâmetros